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Acidentes com eletricidade – como o que matou 10 jogadores no CT do Flamengo – são frequentes no Brasil

Acidentes com eletricidade

Acidentes com eletricidade: atribuído a um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado, o acidente com eletricidade que interrompeu os sonhos de meninos e familiares é recorrente no Brasil

 Além de triste, a notícia da morte de dez adolescentes no incêndio em um alojamento do Ninho do Urubu – o Centro de treinamentos do Flamengo, no Rio de Janeiro – é também alarmante.

De acordo com as investigações da polícia até o momento, o incêndio ocorrido no dia 8 de fevereiro começou num aparelho de ar-condicionado.

O equipamento estava em um dos contêineres que serviam de dormitório para atletas das categorias de base. As vítimas dormiam no momento da tragédia.

Tanto os dez mortos quanto três feridos que foram levados a hospitais tinham entre 14 e 17 anos.

Curto-circuito fatal

Meninos que sobreviveram à tragédia contaram que o fogo começou num curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado no quarto 6. E se espalhou rapidamente pela rede elétrica do alojamento.

Um dos sobreviventes, o atleta Samuel Barbosa, disse à Globo News que havia muito fogo no local.

“A maioria não conseguiu porque a quantidade de fogo era muita. E aconteceu que o ar condicionado pegou fogo, daí foi gerando um curto-circuito em todos os ares-condicionados. Foi pegando em tudo. E foi muito rápido. Não deu pra conseguir chamar quase ninguém”, contou Samuel.

Acidentes com eletricidade
Samuel Barbosa: sobrevivente. Fonte: Facebook/REPRODUÇÃO

O Flamengo não tinha alvará da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro para construir o alojamento onde morreram os jogadores.

Acidentes com eletricidade como o do Ninho do Urubu são recorrentes, diz Abracopel

A Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade, Abracopel, realiza uma pesquisa anual sobre acidentes com eletricidade no Brasil. Trata-se do Anuário Estatístico Brasileiro dos Acidentes de Origem Elétrica.

De acordo com dados divulgados no anuário, 451 incêndios do mesmo tipo ocorrido no Ninho do Urubu resultaram em 30 mortes no país em 2017.

Em 2018, esse número cresceu 20%, chegando a 537 ocorrências.

O que mais chama a atenção nesses incêndios causados por sobrecarga elétrica é o número de mortes. Ele praticamente dobrou de um ano para o outro, saltando de 30 para 59.

“Podemos dizer que a culpa é do descaso com que são tratadas as instalações elétricas, a culpa é da contratação de profissionais sem nenhuma qualificação para a execução do projeto (quando ele existe), a culpa é do governo, da indústria, do comércio, e de todos que sabem o que é correto, mas continuam fazendo o errado, ou dando seu “jeitinho”, afinal ‘fio é tudo igual, fica dentro da parede e ninguém vê mesmo’” – pronunciou a Abracopel sobre o incêndio no Rio de Janeiro.

Caos que se repete

Acidentes com eletricidade que geraram incêndios ocorreram em várias cidades brasileiras nos últimos anos. E chamaram a atenção para a falta de manutenção e cuidado com a segurança das instalações elétricas brasileiras. Alguns casos foram:

  1. Museu Nacional, RJ

O incêndio no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, ocorrido no  Rio de Janeiro em setembro de 2018, não deixou mortos nem feridos. Mas vitimou a cultura brasileira. Destruiu o museu mais antigo do Brasil, que  possuía 20 milhões de itens em seu acervo.

O descaso com as instalações elétricas do prédio era evidente. Não havia manutenção preventiva. Gambiarras elétricas se espalhavam pelo palacete imperial. E não havia um plano de prevenção de incêndios, apesar da total fragilidade e importância do acervo.

  1. Edificio Wilton Paes de Almeida, SP

Um curto-circuito em uma tomada no quinto andar causou o incêndio que atingiu o edifício Wilton Paes de Almeida, em SP. O fogo provocou o desabamento do prédio em primeiro de maio de 2018. Na tomada que sofreu o curto estavam ligados TV, micro-ondas e geladeira. O edifício não recebia manutenção elétrica nem tinha plano de prevenção de incêndio. Um laudo da Prefeitura de São Paulo, elaborado em janeiro de 2017, já atestava que o prédio “não reunia condições mínimas de segurança contra incêndio”. De acordo com o laudo, o edifício não possuía extintores e apresentava disjuntores instalados em placas de madeira com diversos fios expostos.

  1. Sociedade Água Verde, CTBA

Um incêndio destruiu boa parte da centenária Sociedade Água Verde,  em Curitiba, em novembro de 2017. Mais uma vez, chamou a atenção da comunidade para a importância da manutenção elétrica predial. E também da adoção de sistemas de prevenção de incêndio.

  1. Instituto do Coração, SP

Em 18 de janeiro de 2019, um incêndio – também provocado por curto-circuito em aparelho de ar condicionado – atingiu o Incor, no Hospital de Clínicas de São Paulo. O fogo foi controlado por 18 viaturas do Corpo de Bombeiros. Nesse episódio, não houve vítimas.

Campanha permanente contra acidentes com eletricidade

A OMS Engenharia trabalha intensamente na divulgação de informações sobre a seriedade do tema, como na campanha #energiaeletricasemacidentes.

A importância da prevenção feita com avaliação, manutenção e adoção de sistemas protetores nas instalações elétricas brasileiras é tema frequente de artigos e posts em nosso blog, Facebook e Youtube.

“Tragédias podem e devem ser evitadas. Como já noticiamos em várias matérias em nossos canais de comunicação, o maior índice de incêndios é provocado por falhas e falta de manutenção nas instalações elétricas.” – explica o diretor da OMS, Mauro Nascimento Costa.

Como evitar tragédias anunciadas

As manutenções elétricas preventivas e corretivas são o meio mais eficaz de evitar que empresas, indústrias e prédios públicos ou privados passem por acidentes com eletricidade.

“O valor investido numa manutenção preventiva e corretiva é ínfimo em relação aos custos e danos causados.  E não só materiais como humanos. É necessário ter consciência de que a manutenção não é um custo, e sim um investimento. Tanto para evitar tragédias quanto prejuízos financeiros com paradas inesperadas. Lastimar-se pelas perdas não vale a pena. O que temos que fazer é evitar” – ressalta Costa.

O que fazer, então? “É necessário que todo administrador tenha sempre a preocupação de contratar empresas capacitadas que deem o respaldo necessário e legal para que as manutenções estejam em dia. E com isso, diminuam sensivelmente os riscos de tragédias como as ocorridas”.

Por favor, informe-se! Proteja sua empresa, indústria ou condomínio e ajude o Brasil a erradicar notícias como a tragédia do Ninho do Urubu.

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